Meio de transporte e de diversão...

Depois do meu percurso diário para o trabalho de 25kms (ida e volta) com direito a buscar o Gugas e a Nanny, nada como fazer uns singletracks e "passear" pelos tracks de downhill que há a 300 metros de casa!

Tudo verdinho por causa da chuva dos últimos meses

Esta descida o Gugas fez desmontado! 
É grandita e nem trouxemos os capacetes!

O ponto alto da volta foi ficar a ver o sol a pôr-se ao fundo 
com as filas de trânsito na marginal em primeiro plano!

Ali ao fundo...a marginal abarrotada.

Os poucos raios de sol visíveis iluminavam a lua.

Subimos pelo lado do depósito de água, 
o início das pistas de downhill!

Muitas rampas, curvas com alto relevé (banked curves)
e saltos de loucos, como este.

O gugas fê-lo mas a correr.

Meia horita depois estávamos de volta para o banho e o resto dos afazeres...mas com outros níveis de serotonina no corpo!


Porque gosto tanto de utilizar uma cargo-bike no meu commute?

Não é segredo nenhum de que ando de bicicleta para todo o lado desde 2008.

Assim como não é segredo de que adoro cargo-bikes e que me apaixonei pelo conceito da xtracycle e que decidi transformar a minha bicla numa longtail

















A bicla assim permite-me circular de bicicleta para todo o lado: desde as pequenas voltas, compras, assim como viagens e até o commute diário

Já cheguei a referir que permite andar de bicicleta com o mind-set de quem tem carro! (nem era o meu caso). Mas é mais fácil e por vezes só mesmo assim é possível dar boleia a alguém, levar os 2 miúdos à escola, carregar certas coisas, sem arriscar muito. 

Ainda anteontem o meu dia-a-dia seria muito difícil sem uma longtail:

Vim do trabalho e na bicicleta carregava o habitual: câmara de ar e kit ferramentas básico, cadeado, impermeáveis, muda de roupa e a marmita (já vazia). Cheguei à escola para buscar o Gustavo e reparei que tinha trazido a bola de basquete! Ele subiu para a bicicleta com a mochila às costas (ele pesa 30Kg, a mochila já deve pesar uns 5 ou mais), pôs a bola nos alforges e lá fomos. Subimos 1 km até à escola da Mariana. Subiu tb para a bicicleta mais a sua mochila e a barbie bailarina. Pedalámos outro kilómetro até chegar à banca da PROVE onde comprámos aos nossos amigos agricultores um cabaz de 6Kg mais uns brindes que nos ofereceram. E com isto o Gugas foi a pé e nós na bicla nos últimos 500 metros até casa.

A bicla carregada e parada apenas num descanso lateral normal.


O cabaz da PROVE, mochila, bola basket, impermeável, patati, patata...

...e dois miúdos, outra mochila, a marmita!!!


Conseguia fazer isto com outra bicla? 

Conseguiria...mas não era DEFINITIVAMENTE a mesma coisa!




O tolo d'aldeia

Olhos redondos, muito redondos, cansados, sábios e expressivos. Pele gasta, rija quase carapaça com cor de sol há muitos anos a bater nela. Careca branca do chapéu a contrastar com o vermelhão do pescoço. Mãos rijas, fortes e calejadas da enxada. Aquela que o apoia quando não o põe a vergar as costas. Costas batidas, grandes, duras, fortes. Casou com a rapariga que teve um bastardo do patrão, o único com coragem de aceitar uma mulher já com filho, ou o tolo d'aldeia para tantos. Ele sabia que lhe tratavam assim, mas o seu silêncio calava-os a todos. Mas isso já foi há muito tempo, agora os tempos são diferentes. 
Noutro dia víamos um carro a partir da aldeia cheio, carregadíssimo, de pessoas e bens. É sempre assim. Vêm à terra e levam todos aqueles produtos bons, daqueles que não se encontram na cidade. Diz-me ele:
- Dizem que a cidade é onde está a riqueza...eu só os vejo a chegar com o carro vazio e a voltar com o carro cheio. Onde está a riqueza? Mas eu é que sou o tolo...

Foi a única vez que o vi admitir.