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Idiotorial?

Transcrevo parte do editorial da revista Sábado de 13 de Janeiro de 2011 (o bold é meu):

"O presidente da Câmara Municipal de Lisboa continua a sua guerra santa contra os carros na cidade. Agora, decidiu apertar as regras sobre o estacionamento nas principais artérias de Lisboa, onde exitem comércio e serviços. Isso é feito de três formas. A primeira, claro, é um aumento de preço das tarifas, que sobem 5%. A segunda é uma maior fiscalização por parte da EMEL - não para impedir a acção dos "arrumadores", que cobram dinheiro por serviços inexistentes, num negócio paralelo e ilegal promovido pelas acções da própria Câmara, mas para multar os automobilistas. A terceira é a diminuição do tempo de estacionamento permitido, que passa a ser de apenas duas horas.
Na cabeça de António Costa, esta é uma forma de combater os terríveis malandros que vão de carro para o emprego em vez de usarem os maravilhosos, confortáveis e seguros transportes públicos que todas as pessoas que trabalham em Lisboa têm ao dispor. Esquece, porém, aqueles que pretendam, simplesmente, almoçar durante mais de duas horas num restaurante da cidade. Ou aqueles que tenham uma consulta médica nessas zonas da cidade. Quer dizer, na realidade, o presidente da Câmara não se esquece deles. Simplesmente, acha que tornar as suas vidas mais fáceis é bem menos importante do que sentir que está a salvar o planeta."
Até me custa comentar. Em pleno 2011, um editor de uma revista europeia a escrever isto.
- Aparentemente compara a limitação da circulação de automóveis numa cidade a uma guerra santa. As cruzadas passaram da terra santa para as capitais europeias.
- A EMEL existe para fiscalizar "arrumadores" não para fiscalizar estacionamentos ilícitos.
- Aparentemente conhece os nossos transportes públicos (ou não).
- Defende que não pagar estacionamento enquanto se almoça durante mais de duas horas é um direito.
- Ainda pensa que a limitação de entrada de automóveis numa cidade é por questões ecológicas... :os
- E pior: que o conforto é mais importante que o planeta!
enfim...

Take the red Pill (parte I)


O Bruno enviou-me há tempos um link para um essay (um pouco extenso) sobre o livro Fighting Traffic de Petter D. Norton. Dei-me à veleidade de traduzi-lo (com alguma liberdade devo acrescentar), por isso reforço aqui a ideia de que os créditos são para Mighk Wilson .


"Imagina-te pertenceres a uma maioria, e uma minoria poderosa conseguir alterar as leis de forma a limitar-te um direito essencial. Depois disso prosseguem a abusar dos teus direitos remanescentes e tornam a tua vida insuportável. Em resultado disto, algumas décadas mais tarde a tua maioria torna-se uma minoria.

Não é preciso imaginar um cenário hipotético, aconteceu com os peões e numa de uma forma menos limitada aos ciclistas nos Estados Unidos (e um pouco por todo lado) desde os anos 20 do séc. XX.

Desde os finais da década de 1910 e toda a década posterior os automobilistas eram um grupo pequeno mas influente (os mais ricos e socialmente bem colocados) e em rápido crescimento.

O livro “Fighting Traffic: The Dawn of the motor age in the American City” de Peter Norton documenta as alterações da percepção da estrada nesses anos. Ele descreve como uma minoria de utilizadores da estrada se mexeram para alterar convenções aceites desde há muito tempo que determinavam a forma como as ruas eram utilizadas. Exactamente o que hoje acontece mas de forma inversa pelos defensores dos direitos dos peões e ciclistas.

A tal minoria de ricos possuidores de automóveis, estavam limitados a circular a velocidades de 12 a 16 Km/h (8 a 10 M/h) nas cidades. Os peões tinham por direito a total liberdade de utilização da estrada desde que esta figura existia. Até esta altura tinham que a partilhar com outros utilizadores relativamente lentos: gado, cavaleiros, carruagens, carroças e mais recentemente ciclistas (há que notar que quando apareceram, os ciclistas eram vistos como uma perigosa adição aos utilizadores da rua, assustando cavalos e atropelando peões).

A introdução de veículos rápidos e pesados nesta mistura caótica existente resultou num aumento alarmante de fatalidades, a sua maioria peões. Nos Estados Unidos, com apenas 7,5 milhões de carros nas estradas houve 11000 fatalidades em 1920 (1 morte por cada 680 veículos por ano). Cerca de ¾ eram peões e a maioria crianças. Para comparação, actualmente existem 250 milhões de automóveis e camiões nas estradas norte-americanas e uma quantidade de fatalidades rodoviárias que varia entre os 35000 e os 4000, o que resulta num rácio de 1 morte por 6000 veículos por ano. Destes 5000 são peões e ciclistas.

Relativamente a um século atrás o sistema actual é bem mais seguro, mas não evoluiu muito nas últimas 3 décadas. Aliás, os números só não têm subido mais devido às medidas de segurança passivas (air-bags, EPS, ABS, etc.) e à melhoria da resposta do sistema de emergência.


A polícia, nessa altura tinha como percepção do seu papel a manutenção da ordem. De acordo com Peter Norton, a segurança vinha primeiro, e a resolução de congestões de tráfego não era sequer da sua competência. Aliás, engarrafamentos de trânsito eram vistos como formas de diminuir as velocidades e assim diminuir a severidade dos danos em caso de colisões. Mas os interesses económicos e do crescente mercado automóvel desejavam ver aumentado o fluxo de veículos e inventaram novas regras e toda uma nova parafernália (aparelhos, sinalética, etc.) para controlar o tráfico. Cada cidade tinha as suas regras e aparelhos, tornando a circulação muito confusa para quem circulava de cidade em cidade.

Interesses automobilistas muitas vezes trabalhavam em conjunto com direcções locais de segurança no sentido de defender o mais frágil dos condutores imprudentes.
Mas as coisas mudaram drasticamente em 1923, quando a cidade de Cincinnati no Ohio ameaçou passar uma lei que tentava impor estranguladores de potência na produção de motores de modo a limitar a velocidade máxima a 25 Km/h. À imagem de um grupo de ciclistas no fim dos anos 80 que se juntaram para se opor a uma lei que proibiria a circulação de bicicletas nas estradas rurais no Texas, os automobilistas e interesses na área reuniram-se e criaram uma oposição forte. Não há como uma ameaça para que a malta se organizar.

Perante esta ameaça, reclamava-se que uma nova era chegara e que impunha novas maneiras de pensar e de agir. A liberdade era o mote principal e que quanto menos leis melhor. Virou por completo a noção de “perigo” e “direito” na estrada: comportamentos negligentes como a velocidade excessiva por parte de automobilistas passaram a ser vistos com condescendência e o andar descontraído na estrada por parte de um peão, algo que fizera nos últimos séculos, passara para a categoria da “negligência”.


Parte da estratégia passou pelo evitar a diferenciação entre “grupos” (automobilistas, ciclistas, peões) e focar em comportamentos (conduzir, pedalar, andar). É aceitável criticar um mau comportamento, mas não criticar um grupo de pessoas por associação ao mau comportamento. O ponto crucial desta estratégia seria o facto do carro poder ser ou não considerado “inerentemente perigoso”. Caso fosse, independentemente das acções individuais dos condutores eles seriam culpados pelo factor “utilização de um objecto perigoso”. Mas uma vez mais o lobby automobilístico ganhou esta discussão, não com argumentos racionais mas com propaganda.

Foram lançadas campanhas de culpabilização das vítimas. Os peões recebiam o ónus de uma colisão. E como não existiam códigos da estrada uniformizados, esforçaram-se para o fazer com altas representações nos comités criados para a sua realização. O lobby automóvel tinha apoios do topo enquanto que os peões não tinham representação pois não existia na altura nenhuma organização que os defendesse. Sem surpresa, o novo código limitava os peões aos passeios e passadeiras. E planeando a longo prazo, a propaganda foi introduzida nas escolas ensinando as crianças que as ruas eram para os carros, não se podia brincar lá. Nas ruas as novas alterações causavam conflitos absurdos com a polícia com apreensões por desrespeito à lei.

Mais tarde e com a introdução de semáforos, os polícias já não eram necessários nos cruzamentos. Infelizmente para os peões isto significava que não existiam polícias para fazer valer o seu direito de passagem nas passadeiras. Os automobilistas começaram a utilizar o factor medo, assustando os peões com o seu tamanho e velocidade para passarem na sua vez. Isto acontecia numa altura em que existiam 19 milhões de carros contra os 114 milhões de habitantes. Mesmo em tão pouco número os automobilistas tinham o poder da lei e do lobby do petróleo do seu lado.

Impressiona a velocidade com que as coisas mudaram. Em poucos anos os peões passaram de donos e senhores das estradas para uma maioria marginal.

No princípio dos anos 20 a gasolina passou a ser taxada. Esta medida foi inicialmente condenada, mas em poucos anos aperceberam-se que o facto de pagarem pela utilização de combustível trouxe aos automobilistas não só mais espaço de rodagem como uma maior força para reclamar a posse desse espaço. A percepção da estrada passou de “espaço público” e “infra-estruturas viárias geridas pelo estado para o bem colectivo” para uma “comodidade” paga pelos seus utilizadores. Peões, ciclistas e outros utilizadores não motorizados, que não pagam por esta “comodidade” passaram a ter menos uma razão para reclamar a estrada.
O passo seguinte foi a criação de vias rápidas e auto-estradas no fim dos anos 20. A ideia era a de criar vias desenhadas de modo a aumentar a segurança dos utilizadores, mesmo aqueles com poucas competências de condução. Basta ver uma via rápida hoje em dia para verificar como a questão da segurança é posta de lado.

Os ciclistas são considerados danos colaterais. Nem são mencionados por Norton. Os adultos americanos substituíram a bicicleta pelos carros e só nos anos 1970s, com a invenção da BTT com qualidade de construção e múltiplas velocidades, é que voltaram a pegar nela.

As novas vias rápidas não ajudaram nesse processo. As altas velocidades praticadas pelos automobilistas somadas a leis de “circulação mais à direita possível” foram empurrando os ciclistas literalmente e figurativamente para a berma, onde não sofriam tanto com o stress e o risco de levarem razias de automobilistas obcecados pela velocidade e pelo tempo.

Para finalizar o ramalhete, eram constantemente lembrados de que são intrusos em estradas alheias. Num estudo realizado pela Florida Bicycle Association, era comum os automobilistas dizerem que “as estradas pertencem aos automobilistas; os ciclistas e os peões deviam afastar-se do caminho o mais possível”.

As forças policiais deixaram de proteger utilizadores vulneráveis, defendendo os seus direitos, para passarem a afastá-los das estradas. Hoje em dia, os polícias dão mais importância à proibição de pedalar em grupo do que a questões relacionadas, por exemplo, com a falta de iluminação que poderão ter um impacto maior numa possível colisão, pois a primeira atrapalha o trânsito dos “donos” da estrada.

A questão com os peões é a mesma. Numa discussão com um polícia ele dizia “que não ia parar 6 faixas de automobilistas para um peão atravessar a estrada para ir comprar um gelado ao outro lado”. Nós vemos agentes policiais a focarem-se mais nos peões que “andam a pastelar” do que nos automobilistas que não param nas passadeiras. Atrasar automobilistas é evidentemente um pecado original. "



TO BE CONTINUED…



[T]he automotive city took back much of the freedom it promised….[W]hen street users are free to use cars, the freedom of all street users (including motorists) to use anything else is diminished. A city rebuilt (socially and physically) to accommodate cars cannot give street users the good choices a truly free market can provide.”

– Peter Norton

Brincadeiras? RECLAIM THE STREETS!!!

Hoje o Metro noticiava uma "brincadeira" feita num dos parques de estacionamento de Lx (AKA local de usurpação de espaço pela GOMATA)
A dita brincadeira ou 'vandalismo' como é noticiado, resultou no aumento de 4 para 44 lugares de estacionamento para condutores portadores de deficiência física.
Tal vandalismo é tão maquiavélico, horripilante, nefasto que não lembra a nenhum jornalista do Metro. Daí terem associado este atentado à vaca sagrada a algo 'nonsense' que tenham visto na caixa sagrada: neste caso uma das partidas do annoying devil .
Meus amigos...já ouviram falar de activismo? acção directa? reclaiming the streets?
Querem links? procurem...
A voz dos que não têm!


TPs em falência técnica

Que raio.....os transportes estão todos em falência técnica e ainda continuam a subsidiá-los...vão mas é roubar para a estrada!*


*ler em tom de ironia!






Texto do Nuno Xavier na lista pública da MC-Lx, imperdível:


"Todas as multas aplicadas a automobilistas, portagens, impostos sobre os carros e produtos petrolíferos, IVAs, etc somados e elevados ao quadrado não chegam para pagar os custos que a opção pelo automóvel particular tem para a sociedade....

Basta consultar o orçamento do estado para um ano e ver o que se gasta em construção de estradas, manutenção das mesmas, concessões, etc.

E enquanto uma parte desses custos é imputada a quem usa automóveis, outra recai sobre todos nós através dos impostos que pagamos - não será essa uma grande injustiça?

E os custos indirectos - os acidentes, poluição, degradação do património, perda de terrenos produtivos, desinvestimento nos TP, perda de qualidade de vida? Quem paga isso? Todos nós novamente, mais uma grande injustiça...

Sendo passados todos os custos directos e indirectos e todas as externalidades causadas pela utilização do automóvel para o seu custo de utilização, não estamos a promover injustiça mas sim justiça, equidade e acima de tudo educação dos cidadãos para formas de transporte mais eficientes.

Assim se promovem cidades compactas e eficientes, agradáveis de se viver e seguindo modelos provados há milhares de anos, e basta de subsídios encapotados à utilização do automóvel particular e aos promotores imobiliários de empreendimentos onde Judas perdeu as botas, cujo modelo de negócio só funciona porque o estado assume custos enormes para garantir acessibilidade automóvel aos mesmos, achando que se vai gerar receita futura em impostos que cubra esses custos - como temos visto esse modelo não funciona a partir do momento em que toda a gente adere a ele e deixa de haver recursos energéticos para o sustentar...

Outras opções de transporte e de vida além dos subúrbios auto-mobilizados temos todos, é uma questão de capacidade de adaptação e de não sermos comodistas.

O povo português sofre é de uma auto-esclerose em estado avançado, da qual já percebemos os sintomas, alguns já fizeram o diagnóstico e todos estamos a pagar!"

Fixing the great mistake

Cars Need to be Put Back in their Place

The automobile is a tool. It's not evil, and it's not good. It works well for certain things, and it causes more problems than it solves with others. But during the 20th century, it seems like our society lost all perspective and decided that the car was the answer to all transportation problems and that everything else should be considered only a minor alternative form of transportation.




Goofy in Motor mania

Um tratado psiquiátrico assinado pelo génio de Walt Disney em 1950...mas muito actual.




Retirado do Copenhagenize.com

Prioridades...

Cartoon de José Bandeira (Cravo & Ferradura) do DN de Quarta-feira


É por causa da Chauffage!!....ehehe

Street Liability

Em Toronto, um ciclista agarra-se ao carro (não sei se para se apoiar apenas, se para ganhar velocidade) de um suspostamente advogado famoso (ligado a direitos humanos, justiça, etc.). Sem se perceber porquê, o dito advogado "passou-se" e arrastou o ciclista empurrando-o contra pilaretes na tentativa de o afastar do seu carro. Resultado desta "raiva momentânea": o ciclista morreu e o automobilista vai preso. Podem ler o resto aqui.


Quantas pessoas conhecemos (ou nós próprios) que são calmos, mas no trânsito transformam-se? Não sei se pela frustração de uma mobilidade real distanciada da mobilidade propragandeada ou se pelo alheamento quase total dos sentidos em relação à realidade, whatever.



Mas o melhor é ler os comentários que são feitos. Sei que os comentários na internet são, muitas vezes, a distilação de raiva concentrada, potenciada pela cobardia do anonimato, mas dá para perceber um certo "desconforto" para com o ciclista. Marginalizados por um sistema demasiado "car-based", ficamos entalados entre uma visão demasiado rígida e completamente distorcida do código da estrada e uma incapacidade nata de lidar com a falta de regras. Se circulamos na estrada (que também é nossa por direito) é porque atrapalhamos o trânsito, se alguém decide ir pelo passeio ou por uma via de lazer é porque causam acidentes aos peões (até podem falar da falta de disciplina de alguns ciclistas, mas isso acontece com automobilistas, peões, etc., etc.).

A verdade é que se existe um veículo que consegue circular em quase todos os cenários, estrada, fora dela, passeios, transportes, etc., dá uma dor de cotovelo brutal! Mas o mais impressionante é que este veículo é barato e acessível a todos! Porque não tentar?



Na minha deslocação diária faço uma via em sentido contrário. Hoje fui interpelado por um senhor de idade todo revoltado. Agradeço a sua dica, pois ao contrário do exemplo em cima, pedalar costuma puxar o meu lado melhor! O senhor ia com uma criança na mão, na faixa de circulação dos carros, pois o passeio estava minado de carros estacionados (em frente a uma escola).
Mais à frente viro à direita num cruzamento com o semáforo vermelho. Sem espinhas pois o trânsito que circulava nessa altura nunca colidiria com o meu movimento. À frente outro sentido proibido. Vou deixar a minha filha ao infantário e para isso coloco a bicicleta durante 5 minutos na entrada do prédio. À porta uma confusão generalizada de carros no passeio, no meio da estrada com 4 piscas, senhoras a atravessar a estrada a correr com míudos ao colo...porque não têm sítio para estacionar mesmo em frente. O que pergunta a auxiliar toda indignada? "De quem é isto aqui? Não quero isto interrompido!". Referia-se à bicicleta, claro. Ri-me e disse que era minha. Tirei-a logo pois o engarrafamento que causava era descomunal (NOT). Está incuto no consciente das pessoas!

Se estou contente com o facto de quebrar regras de trânsito? Não, não estou, mas tenho a noção de que é tudo desenhado para uma sociedade de carros. Os sentidos únicos são promovidos para que haja mais estacionamento, para além de que se seguirmos esses sentidos damos uma volta descomunal, mais apropriada a quem tem um motor do que a quem tem de pedalar. Os semáforos (assim como as lombas) são (más) invenções para tentar regrar um trânsito causado por automóveis.

Circulação de bicicletas em vias de sentido único assim como virar à direita quando o semáforo está vermelho são alternativas já dadas em países do norte da Europa. A isto chama-se "Street Liability" e é o que não acontece por cá, onde o mais fraco (peão, depois ciclista) não é protegido e apenas tido em conta após o mais forte (o carro).


Não se pode contruir nem legislar em função desta pirâmide invertida, nem pelo facto destes serem mais. Em portugal os passeios são invadidos pelos "mais fortes", por vezes não existem ou são pouco apropriados aos "mais fracos". O meu avô que tem dificuldades motoras resigna-se a ficar por casa pois não consegue andar em certos passeios, subir as escadas e contornar todos os carros em estacionamento indevido. Isto é de país desenvolvido?

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Xtracycle revolution

Se dúvidas ainda existirem....este vídeo serve para desfazê-las:

Practical Slideshow - Xtracycle from Xtracycle on Vimeo.

XTRACYCLE #7 - o "social"

Agora quase todos os dias de manhã levo uma colega à pendura desde a estação fluvial até ao centro do Seixal. Os cerca de 800 metros planos, que para esta e outros colegas resultavam em 10 minutos a andar na estrada (pois os passeios estão cheios de carros), transformam-se em 2 minutos de passeio à conversa sentaditos na Xtracycle.

Ainda não tenho fotos da façanha, mas a reacção de alguns colegas a quem conto isto é:


"Ela deve vir com a cara tapada não? Que vergonha!"


O que vale é que muitos acham "piada" e alguns, especialmente quem usufrui da boleia até dizem: "Isto é uma grande invenção!!"

(é uma bicicleta...a MELHOR invenção depois da roda!)


Ó para eles cheios de "vergonha" em Copenhagen





Fotos retiradas do blog Copenhagen Cycle Chic

O peso do automóvel na sociedade actual

"A massificação do automóvel efectua um triunfo absoluto do ideologia burguesa no nível da vida diária. Dá e sustenta em todos a ilusão de que cada indivíduo pode procurar o seu próprio benefício às custas de todos os demais. Leva ao egoísmo cruel e agressivo do motorista que em todos os momentos está figurativamente matando os “outros”, que aparecem meramente como obstáculos físicos à sua velocidade. Este egoísmo competidor e agressivo marca a chegada do comportamento universal burguês, e tem existido desde que conduzir se tornou lugar comum.
O automóvel é o exemplo paradoxal de um objecto luxuoso que tem sido desvalorizado por sua própria propagação. Mas esta desvalorização prática não foi seguida ainda por uma desvalorização ideológica. O mito do prazer e benefício do carro persiste, embora se o transporte de massa fosse difundido, a sua dominação seria golpeada. A persistência deste mito é explicado facilmente. A propagação do carro particular deslocou o transporte de massa e alterou o planeamento da cidade e da habitação de tal maneira que transfere ao carro o exercício de funções que sua própria propagação tornou necessárias. Uma revolução ideológica (”cultural “) seria necessária para quebrar este círculo. Obviamente não se deve esperar isto da classe dirigente (direita ou esquerda).
in “A Ideologia Social do Carro a Motor”
André Gorz