Resgatando velhos conceitos para o futuro da cidade: caso de estudo São Luís. from Cidade Ideia on Vimeo.
Idiotorial?
Uso da terra



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Por falar em posse. A freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo andou a colocar uns pilaretes gigantescos e iluminados a marcar as entradas/saídas da freguesia! Mas que raio pensa esta gente?? Qual é a necessidade de "marcar o território" desta forma?? Para mostrar trabalho? Numa altura em que se dá mais importância à contenção de gastos, estoira-se dinheiro em algo tão insignificante e até saloio? Se é toponímia, mobiliário urbano, é algo da competência da Câmara e standardizado para o restante território concelhio não? Porquê algo diferente e com tanto desperdício de dinheiro, material e energia??
E AINDA POR CIMA BEM NO MEIO DE UM PASSEIO!!!
Biclas e a biblioteca de algés
Não é que ontem encontrei dentro do mesmo páteo um automóvel da Oeiras Viva com um senhor a dormir lá dentro!!! Muito bom....a bicla não pode...o carro pode...


Eis os pilaretes que sobem e descem bem marcados a amarelo e a cinza os estáticos. Desta vez removeram o pilarete estático que devia estar à direita na imagem e ficou resolvido! Espectáculo!


Passeio Livre

Á porta da pastelaria do costume o pópó estaciona de rompante em cima do passeio. Existia lugar mesmo ao lado da bicla...mas estacionar legalmente e sem prejudicar o peão? para quê? Assim dou menos 3 passos. Quando lhe questiono a razão de ter feito o que fez responde-me que é "apenas para beber a bica". Mais uma vez a imagem do senhor trabalhador que não faz mal a ninguém e a do extremista que passeia de bicla e só quer chatear quem trabalha.

Acalmia de tráfego


As duas imagens reportam 2 vias onde foram aplicadas medidas de acalmia de tráfego. A primeira foi feita de uma maneira mais decidida com uma chicane bem apertada e muita sinalética e a segunda é uma medida mais discreta, com àrvores desencontradas plantadas junto à berma a criar uma chicane bem menos pronunciada.
A segunda imagem é da Rua Manuel Agro-Ferreira na Costa da Caparica e a medida foi pensada pela CMAlmada com o propósito de reduzir a velocidade do tráfego automóvel nesta via de acesso à praia muito frequentada por ciclistas (é a continuação natural da rede de ciclo-vias) e por peões.
A Ana viu este vídeo no Nós por cá e apresentou-o aos demais.
Não é de espantar o desconhecimento destas medidas pelos cidadãos, e pelos vistos também já não nos espanta o mesmo desconhecimento por parte dos (alguns) jornalistas. Afinal a definição de chicane na wikipedia de língua inglesa difere e muito da mesma mas na Wiki da língua de camões.
Eu aconselho a das Livable streets....
Agora mais um joguinho das diferenças:

Eu não sei o que vocês vêem, mas aposto que os senhores da reportagem vêm:
i) o veículo eco-lógico de um senhor coitado que não tem culpa de que alguém de preferência estado ou autarquia não lhe tenha arranjado um lugar mais perto da sala e que não está a atrapalhar nenhum peão pois ele cabe NA BOA entre o carro e o muro e é o grande motor da economia e da saúde pública deste país!!!!
ii) uma árvore do "demo" causadora de acidentes horríveis e poluição extrema que ainda por cima vai conspurcar a estrada com sementes e vai chamar bicho!
onde param os peões?
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Continuando as excelentes políticas de redução de volume de tráfego, diminuição das velocidades praticadas pelos veículos motorizados e dar prioridade ao peão, decidiram usar o exemplo japonês de atravessamento diagonal. (para quem apenas conhece o lado orgulhoso britânico, fica a conhecer a faceta de benchmarking, de conhecer boas-práticas e aplicá-las. Conheci de perto esta prática no departamento de desenho urbano da cidade de Leicester onde realizei um projecto e recentemente o dep. de tráfego fê-lo para diminuir a sinistralidade rodoviária, copiando o exemplo da França, etc.).
Em Tóquio, Shibuya é onde existe o maior tráfego pedonal do mundo. (Imagino a condutora do carro que exempifiquei no princípio do post neste sítio!!). Na ligação do cais ferroviário para o cais fluvial do interface do Cais do Sodré, a passadeira (??) tb é bastante concorrida, sendo normalmente os ditos condutores profissionais, os taxistas os condutores que mais pressionam os peões.
A praça transformou-se num gigantesco passeio e são os carros os intrusos (Épá..a tal condutora do carro que exempifiquei no princípio do post, já se está a benzer toda!!).
Agora é que entra a experiência Japonesa: Quando o semáforo fica vermelho, os carros param em todas as direcções e o sinal para os peões fica verde também em todas as direcções é o "pedestrian scramble". Durante 30 segundos os peões podem atravessar a praça em qq direcção, na diagonal, como desejem, em vez de terem que ficar parados e atravessar aos bochechos (O blog do menos1carro reporta bem esta questão mas não encontro esses posts). Deste modo o tráfego pedonal torna-se mais eficiente, aliviando a carga e evitando a sobrecarga.
"Se daqui até à entrada do metro são 100 metros fazendo a hipotenusa, pq tenho eu de fazer 150 metros dos catetos" - diria Pitágoras :o)
Ou como disse o mayor de Londres: "This project is a triumph for British engineering, Japanese innovation and good old fashioned common sense. The head scratching frustration caused by the previous design is over and we've brought one of the world's greatest crossroads into the twenty first century. Being able to cross in an oblique rather than a perpendicular fashion will make Oxford Circus incredibly more efficient for the millions of pedestrians and road users that use the crossing every year."
Street Liability
Quantas pessoas conhecemos (ou nós próprios) que são calmos, mas no trânsito transformam-se? Não sei se pela frustração de uma mobilidade real distanciada da mobilidade propragandeada ou se pelo alheamento quase total dos sentidos em relação à realidade, whatever.



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Carril de Belém
no comments...
Claro que 100 metros depois está parada no semáforo, paro e pergunto-lhe se valeu a pena... o que me respondeu não tem nível para entrar neste post.

Para quem escreveu este recado, o facto de estarem a utilizar o único espaço onde o peão ainda pode circular não é falta de civismo....apenas quando alguém atrapalha o acesso ao seu carro é que é falta de civismo!! Afinal já é normal um carro mal estacionado e em cima do passeio!
Vinha a pensar nesta inversão de valores quando choco com o oposto: encontrei a Louise, uma simpática Canadiana de 61 anos que estava a passear de bicicleta Portugal. Estava a 2 dias de partir para as terras frias e ia aproveitar para visitar a baía do Seixal. Partilha comigo o mesmo gosto pela bicicleta e em especial a do cicloturismo. Tem uma bicla com 15 anos e aprecia-a mesmo sem suspensões e outras cenas fancys...tal como eu e a minha Timberlina X!!.
Um verdadeiro espírito livre que apareceu para iluminar o meu dia!

Boas práticas...bons exemplos
As rodas vão na calha e basta empurrar a ginga! PERFEITO!
Um bom exemplo do que se vai fazendo por aí em prol da utilização da bicicleta!
Estacionamento biceberg


Leituras
Isto porque no Porto retiraram a bandeira azul à praia do Homem do Leme e, segundo o autor, as pessoas entrevistadas faziam que o crédito do técnico que avaliou a qualidade da àgua fosse pelo cano abaixo após as observações atentas dos veraneantes. Um dizia que a àgua estava uma maravilha, o outro diz que nunca a viu tão boa! O que é isto comparado com um tubo de ensaio cheio de coliformes fecais? Nada...então não vê que a água está boa?
Em relação ao trânsito é exactamente a mesma coisa. O número de feridos e mortos nas estradas portuguesas aproximam-se de uma catástrofe com resultados visíveis, marcantes e friamente reais e mesmo assim continua-se a passar cartas sem muito critério, a acelerar na estrada, a beber e conduzir, a levar míudos sem cinto, a apitar que nem uns malucos, a fazer razias a peões e ciclistas, enfim...........

Também li uma entrevista ao vereador do urbanismo da CMLX que diz, e o jornal engrossa para ser utilizada como frase chamativa: "Há que tornar a utilização do carro desconfortável na cidade" - Toca a passar das palavras à prática!
Espaço público
É uma ideia mais que enraizada, de que o espaço alcatroado perto dos passeios é reservado ao estacionamento dos automóveis, é um direito consagrado na mente das pessoas, é um dado aquirido a partir do momento em que se compra um carro!
Hoje acharam o meu discurso "radical" por considerar que o espaço ocupado pelo automóvel equivalia ao que nós ocupamos na "esplanada ilegal". Isto porque tivémos que nos afastar para um carro sair. "Não sejas radical, então onde é que as pessoas pôem os carros??". Sim, é um problema, a colocar ANTES de comprar o dito! Isso para mim é que é radical!
O verdadeiro problema está quando não se consegue descobrir o problema! Desta forma nunca se vai resolver!
Se calhar se todos nos puséssemos assim e assim as ideias começavam a ficar um bocadinho mais no sítio não?? Uma boa ideia para matutar e assentar que isto é de todos nesses cornos! No bom sentido claro ;o)
Copenhagen em 2015
Numa participação pública elaboraram esta lista com as pretensões dos seus habitantes:
"The City in 2015 - how does it look?"
A CYCLING MEKKA
Cyclists have conquered the streets
There are few accidents
There is room for both fast and slow cyclists
Cyclists get a tax break for riding
The main boulevards are now underground tunnels for cars.
INFRASTRUCTURE
Cycle tunnels under and bridges over the harbour
Bike paths all the way along the harbour, on both sides
Bike motorways straight to the city centre
Cycling allowed in all green areas (some parks are bike-free zones)
Three lane bike lanes for different speeds
Green Wave system on all traffic lights
LIFESTYLE
Trendsetting bike design
Bikes that symbolise who I am
Our City Bikes are gorgeously designed
EXPERIENCES
Beautiful routes with great views
More trees planted along bike routes
More bike events
SERVICE
Creation of service stations along bike routes where you can pump your tyres and charge bike lights
The City loans out free bikes
Free City Bikes to all Copenhageners
Free bike lights
Mandatory warning sounds on busses when turning
BEHAVIOUR
Cycling courses for locals and tourists
A city without bike locks
No bikes left behind
Everyone checks over their shoulder before turning
Cycling training tracks for kids
Everyone is friendly and smiles
PARKING
Many smart bike racks
Fantastically gorgeous bike parking
Newly-invented multistory bike parking
Bike racks with attached service centres
More covered bike racks.
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Isto para mim é simplesmente espectacular. E acredito que somos capazes de melhorar as condições para os ciclistas se nos juntarmos, se fizermos massa crítica e se estivermos mais no terreno.
Estou tentado e tenho estado a falar com amigos, em criar uma associação de "bike advocacy" como existe pelo mundo civilizado fora. Tentar arranjar um espaço físico, não só virtual, onde se pode conversar, convencer, voluntariamente arranjar bicicletas, aconselhar, enfim dar PODER a quem pretende usar a bicicleta no dia-a-dia. A minha cabeça anda a fervilhar e vou-me pôr a mexer para ver se tenho ajudas da junta de freguesia de onde vivo para montar um projecto deste género. Toda e alguma ajuda é bem-vinda.
Já é altura de começarmos a ter estas e outras preocupações:
As 11 cidades mais amigas da bicicleta no Mundo

São estas as 11 cidades mais amigas da bicicleta:
1- Amesterdão, Holanda
2- Portland, Oregon (US)
3- Copenhagen, Dinamarca
4- Boulder, Colorado (US)
5- Davis, California (US)
6- Sandnes, Noruega
7- Trondheim, Noruega
8- San Francisco, California (US)
9- Berlin, Alemanha
10- Barcelona, Espanha
11- Basel, Suíça
Quais são os critérios para se chegar a este top 11......planeadores, decisores públicos, ciclistas, peões, todos?
Os cinco "Es":
- Engenharia (infra-estruturas pró-bicicletas, como estacionamento, sinalética e vias próprias, ligação entre as vias próprias e as vias de circulação normal, etc.)
- Educação (acções educação rodoviária pró-ciclista, por parte tanto de peões, ciclistas e automobilistas)
- Enforcement (policiamento/legislação) (fiscalização do cumprimento das leis que encorajar a utilização mista das vias de circulação e leis específicas para bicicletas)
- Encorajamento (promoção da utilização da bicicleta na cidade através de campanhas)
- Evaluation & Planning (avaliação e planeamento) (sistemas de medição de sucesso de programas em curso e de planeamento futuro)
Dúvidas? Vejam mais aqui
E um vídeo bem catita:
Insólitos II
Eu - "Boa tarde, ali há pouco fez-me uma razia. Podia ultrapassar com espaço e evitar passar tão perto!"
Ele - "É assim: Queres andar de bicicleta não andas no meio da estrada!"
Eu, já a manjar a pinta do tipo - "o quê??!! Para já não ia a meio. Ia o mais encostado à direita sem pôr a minha segurança em risco, visto a berma estar cheia de areia. E depois, circular na faixa é uma direito que me assiste, assim como se viesse de carro!"
Ele - "Então pode ser que da próxima te passe a ferro!"
Eu, a tentar "sacar" todo o zen de dentro de mim para não lhe partir a boca - "Pela sua lógica se um condutor de camião se fartar de andar atrás de si, passa-o a ferro, não?"
Ele - "SLAM" (barulho da porta a fechar mesmo na minha cara, depois liga o carro para ter o ar condicionado ligado enquanto espera por alguém que vem no barco).
ARGH!!! Lá soltei duas asneiradas.
Épá....como é que o "shared space" sobrevive com tipos deste género a circularem com uma arma que é o carro nas mãos??

Shared space....é possível
A apreciação do espaço e o planeamento cá no nosso burgo é feito sobre o senso comum, uma versão demasiado fechada, egoísta e distorcida da realidade. Basta ver a quantidade de projectos que não são sustentáveis e que normalmente desviam ou prolongam no tempo os problemas, em vez de atacar o problema.
Em certos locais, cá dentro e lá fora, planeiam-se e realizam-se projectos que implicam transformações do espaço urbano tendo em conta várias experiências e provas dadas em vários países em oposição ao dito atrás.
Eis um vídeo sobre o conceito do shared espace. A ideia é atribuir a todos os meios de transporte a prioridade. Para circular há que "negociar" a passagem, respeitando a velocidade do mais lento. O fluxo é orgânico, vai acontecendo e tem de haver, obrigatoriamente, mais atenção por parte de quem circula (peão, ciclista, ou automobilista). Para não falar da ausência de uma panóplia brutal de sinalização veritical e horizontal que é tudo menos humano e por vezes implica uma significativa capacidade de leitura e multi-tasking inumana.
(Em Portugal isto obrigaria a uma formação dos intervenientes. Os automobilistas teriam de se aperceber que tem de circular à velocidade de "passo" e os peões que devem circular com atenção ao que os rodeia).
Na Holanda:
Aconselho a pesquisa de "Shared space" no youtube. Existem por lá vários vídeos de introdução ao conceito. Um must é também a visita a este site.



